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Blog do Luiz Sperry

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A luz do sol e a vitamina D podem ajudar no combate à depressão

Luiz Sperry

04/06/2018 04h00

Crédito: iStock

Nesses últimos anos houve uma explosão do consumo de vitamina D. De repente, percebemos que todo mundo estava com níveis baixíssimos de vitamina D, e isso poderia ser muito ruim para nossa saúde. A vitamina D esteve durante muito tempo associada ao raquitismo, e sua suplementação, junto com a vitamina A, é praxe nos primeiros anos de vida.

Só que agora os adultos perceberam que quase todos temos níveis baixos de vitamina D. A vitamina D é obtida por meio da dieta ou da exposição solar. Alguns alimentos como peixes (os peixes de água fria, sempre eles, como sardinha, salmão ou atum), ovos e laticínios são ricos em vitamina D. Fígado também, caso você curta. Agora o jeito mais eficiente de se conseguir vitamina D é através da exposição solar.

A luz do sol transforma o 7-dehidrocolesterol em pré-vitamina D3, que vai se converter em vitamina D3, que por sua vez será transformada na 25-OH-vitamina D, que é a forma ativa da vitamina D, que é aquela que serve para nós. Só que por motivos culturais nós tomamos cada vez menos sol. Nós andamos cada vez menos a pé, estamos em geral sempre encapotados, e a paranoia-em parte justificada- de que o sol destrói nossa pele e causa câncer se tornou uma referência cultural. Lembro bem quando eu era criança que o protetor solar fator 15 era o mais potente no mercado e hoje em dia quase nem é considerado protetor.

Pois bem, por essas e por outras ficamos sem a tal 25-OH-vitamina D. Mas qual é a consequência disso para a nossa saúde? Como já se sabia de início, a vitamina D está associada a doenças ósseas, como o raquitismo e a osteoporose. Mais recentemente foram surgindo relações entre a vitamina D e surgimento de alguns tipos de câncer, doenças cardíacas e doenças auto-imunes. E claro, doenças mentais também.

Já existe uma relação entre luminosidade e depressão. Existe até uma entidade, chamada depressão sazonal, que ocorre em certas épocas do ano, com forte relação com o clima.

Pensando-se nisso foi desenvolvida a agomelatina, um antidepressivo que atua nos receptores de melatonina, cuja produção se dá justamente pela variação de luminosidade a que estamos expostos. Estudos indicam que pacientes que fazem fototerapia (ou seja, estão expostos a forte luminosidade por cerca de 1h por dia) junto com antidepressivo tem resultados melhores e mais duradouros que pacientes que tomam apenas os antidepressivos.

A questão é: a exposição ao sol melhora a depressão porque aumenta a vitamina D ou existe algum outro benefício adicional? Se eu ficar dentro de casa e tomar suplemento de vitamina D vou ter os mesmos benefícios de tomar sol? Não dá para saber baseado nos estudos que temos. Mas fica a sugestão: mantenha seus níveis de vitamina D dentro dos parâmetros. E tome um pouco de sol, sempre.

Sobre o autor

Luiz Sperry é médico psiquiatra formado pela USP em 2003. Adora a cidade de São Paulo, onde nasceu e cresceu. Já trabalhou nos 4 cantos dela, inclusive plantão em pronto-socorro (tipo ER mesmo), Unidade Básica, HC, Emílio Ribas, hospícios e hospitais gerais. Foi professor de psicopatologia na Faculdade Paulista de Serviço Social e hoje em dia trabalha em consultório e supervisiona residentes do HC.

Sobre o blog

Um espaço para falar das coisas psi em interface com o que acontece no dia a dia, trazendo temas da atualidade sem ser bitolado.